terça-feira, 4 de março de 2008

Marujo Português

Quando ele passa,
O marujo português
Não anda, passa a bailar
Como ao sabor das marés.
E quando se ginga,
Põe tal jeito, faz tal proa
Só p'ra que se não distinga
Se é corpo humano ou canoa.

Chega a Lisboa,
Salta do barco e num salto
Vai parar à Madragoa
Ou então ao Bairro Alto.
Entra em Alfama
E faz de Alfama o convés,
Há sempre um Vasco da Gama
Num marujo português.

Quando ele passa
Com seu alcache vistoso,
Traz sempre pedras de sal
No olhar malicioso.
Põe com malícia
A sua boina maruja,
Mas se inventa uma carícia,
Não há mulher que lhe fuja.

Uma madeixa
De cabelo, descomposta,
Pode até ser a fateixa
De que uma varina gosta.
Quando ele passa
O marujo português,
Passa o mar numa ameaça
De carinhosas marés.

Miudita

1 comentário:

Madalena Raimundo disse...

Bravo Miudita, uma autêntica instalação!
Para o ano,os Doentes da Cabeça, deviam faler com a directora da Feira de Arte em Madrid (ARCO) e concorrer com este video em espaço condigno na feira na categoria de instalação, com toda a certeza era adquirida logo na inauguração.
Viva o Vasco da Gama